Durante algumas semanas, parece que o país inteiro veste as mesmas cores.

O verde e o amarelo deixam de ser apenas uma combinação de tons e passam a representar expectativa, encontros, superstição, celebração e pertencimento. É um movimento curioso: pessoas que raramente acompanham futebol voltam a se reunir para assistir aos jogos, bares lotam, grupos de amigos reorganizam a rotina e, por alguns dias, existe um sentimento coletivo difícil de encontrar em outros momentos do ano.

Quando a competição chega ao fim  (especialmente quando a despedida acontece antes do esperado) essas cores costumam voltar para dentro do armário.

Mas será que elas pertencem apenas ao futebol?

Essa talvez seja uma das maiores reduções da identidade brasileira. Ao longo das últimas décadas, a camisa da Seleção e suas cores passaram a ocupar um espaço tão dominante no imaginário popular que, muitas vezes, esquecemos que elas existiam muito antes do esporte se tornar um dos principais símbolos nacionais.

O Brasil também é reconhecido pela música, pela arquitetura, pela diversidade cultural, pelo design, pela moda, pela natureza e pela criatividade que atravessa diferentes gerações. Nossa identidade nunca esteve restrita aos noventa minutos de uma partida.

Na moda, essa discussão aparece com frequência.

Cada vez mais marcas brasileiras têm buscado reinterpretar elementos da cultura nacional sem recorrer ao óbvio. Em vez de transformar o país em fantasia, o desafio tem sido traduzir referências brasileiras para peças que façam sentido durante todo o ano.

É uma forma de entender que vestir as cores do Brasil também pode significar celebrar um verão na praia, uma viagem de férias, um festival de música, um almoço de domingo ou simplesmente um dia comum em que queremos usar algo que conversa com quem somos.

Esse movimento acompanha uma mudança importante no consumo de moda. Hoje, mais do que lançar produtos para um momento específico, muitas marcas procuram desenvolver peças que permaneçam relevantes independentemente da estação, da tendência ou do calendário.

É justamente dessa ideia que nasceu a Regata Canelada Brasil da Rhode Concept.

Embora tenha sido apresentada durante a Copa do Mundo, a peça nunca foi pensada como uma coleção comemorativa. Sua proposta sempre foi outra: criar uma regata que carregasse referências brasileiras de maneira natural, através da combinação de cores, da modelagem e da versatilidade.

A intenção nunca foi vestir apenas a torcida e sim,  vestir pessoas.

Talvez esse seja um dos maiores desafios da moda contemporânea: criar peças capazes de atravessar o tempo.

Enquanto tendências surgem e desaparecem em poucos meses, um bom design continua encontrando espaço no guarda-roupa porque acompanha histórias reais. A roupa deixa de existir apenas para uma ocasião e passa a fazer parte da rotina de quem a veste.

No fim das contas, o apito final encerra um campeonato, mas não aquilo que ele desperta.

O Brasil continua presente nas conversas que atravessam a madrugada, nas paisagens que inspiram viagens, na música que toca em diferentes partes do mundo e na criatividade que transforma o cotidiano em algo único.

E talvez seja justamente por isso que algumas peças continuem fazendo sentido muito depois do fim da Copa.

Porque elas nunca foram sobre futebol.

Sempre foram sobre o Brasil.